Revolução Francesa: cabeças vão rolar

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“Liberdade nas barricadas” de Ferdinand Delacroix

A França é o modelo clássico no processo de implantação da vida burguesa, tendo uma história marcada por conflitos e violência, principalmente quando comparada com a da Inglaterra. Não obstante, foi também a primeira unidade territorial a sofrer um processo de identidade política – decorrida da permanência das instituições do antigo Estado carolíngio.

Até o fim do século XIV, a França se encontrava como o grande Estado católico da Europa, tendo uma nobreza defensora do patrimônio católico do Ocidente. Entretanto, em oposição ao controle católico de territórios, o rei começaria um movimento de centralização de seu poder, permitindo-o soberania sobre a Igreja de tal modo que o mesmo seria responsável pela nomeação do corpo eclesiástico – podendo, então, estabelecer uma rede de relações.

Porém, mesmo que o rei estivesse em meio há um processo de centralização, observava-se em boa parte da França diversas transformações, representadas, por exemplo, pela diluição da ação administrativa real, com o surgimento de uma maior autonomia nas decisões locais e, acima de tudo, pelas mudanças econômicas (aumento da riqueza dos proprietários) e sociais (surgimento de nobreza provinciana voltada para produção e comércio, mas com uma cultura política tradicional)  que aconteciam nas áreas mais afastadas de Paris e áreas da fronteira.

Já na segunda metade do século XVI, a França era um espaço de tensões, marcada por um dualismo que impedia o processo de centralização. Além disso, haviam também as guerras religiosas entre católicos e protestantes, que culminariam na Noite de São Bartolomeu, acabando apenas com a intervenção real, feita através da organização administrativa e pacificação de Henrique IV e de seu primeiro-ministro Sully, o que permitiria um reconhecimento da soberania do rei.

Entretanto, o absolutismo seria apenas concretizado sobre o regime de Luís XIII: o corpo do rei, este acima do Estado, passa a ser associado ao corpo social e há um alargamento da distância entre o rei e a sociedade, provocado, especialmente, pelas intendências, as quais atuavam com a função de estabelecer a ordem e impor a lei – desmontando, portanto, os movimentos sociais de imposição que começaram a surgir naquela época.

Mas não seria o suficiente. A França, já com Luís XIV como rei, encontraria agora uma dualidade que abrangeria diferentes interesses e projetos políticos, com destaque para a existente entre as cidades e o resto da nação: o campo, por exemplo, era um refúgio para quem queria fugir da corrupção e luxúria de Paris, ou eram perseguidos por suas ideias. Além disso, havia um reconhecimento de uma situação de crise que passou a tomar forma por meio de denúncias.

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Ilustração que representa o Terceiro Estado carregando o Segundo e Primeiro Estado – era o povo que, através do pagamento de inúmeros impostos e dos frutos de seu trabalho, sustentava a economia

Tal crise, cada vez mais aprofundada, junto com os custos da manutenção da corte de Versalhes e o desequilíbrio entre o Terceiro Estado e os outros Estados (o clero e a nobreza possuíam uma grande quantidade de privilégios), indicariam uma revolução iminente. A Convocação dos Estados Gerais da França, e a realização por parte do Terceiro Estado de que não possuía voz nenhuma – o que levaria ao surgimento da Assembléia Constituinte – eclodiria em quatro diferentes revoluções: a aristocrática (descentralização e autonomia local); burguesa (eliminação dos entraves à produção e proposta da propriedade privada); camponesa (conquista da terra pelos camponeses e eliminação de todas as formas de exploração antiga) e popular (melhoria das condições de vida e do trabalho).

Generalizando então tais revoluções em uma, teríamos a tão famosa Revolução Francesa, dividida em três etapas (Era das Constituições, Era das Antecipações e Era das Consolidações) e marcada pelos diferentes movimentos dos jacobinos, facção mais radical da Revolução, e girondinos, facção mais moderada. Destaca-se, porém, os jacobinos, tendo em vista que seriam eles aqueles que assumiriam o poder após a morte de Luís XIV – sua liderança culminaria na época do Terror e do Grande Terror, onde aproximadamente 3 mil pessoas seriam vítimas da política de purificação presente na ditadura instaurada por Maximilie de Robespierre, líder jacobino.

A Revolução encontraria, então, seu fim tanto na morte de Robespierre quanto na aliança política entre os novos e velhos setores da sociedade e com Napoleão Bonaparte, os avanços burgueses e a reestruturação da economia durante 1795 e 1799.

Finalmente, gostaríamos de recomendar o álbum da página História nas Redes Sociais que resumiu a Revolução Francesa como se ela tivesse acontecido no Facebook. É uma maneira muito mais agradável de aprender o conteúdo – porém, é importante realçar que se trata apenas de um resumo, e, se for desejado um aprofundamento no assunto, deve-se procurar um outro material mais adequado.

 

 

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